vou caminhando sem rumo certo. vou pelas ruas repletas de calçada insegura, evitando tropeçar no alvoroço. vou certa, ainda que sem rumo. vou caminhando em jardins com sol de fim de tarde e calor de meio dia. vou caminhando em noites escuras com cheiro a verão e em areia fina que escapa entre os dedos. vou certa, ainda que sem rumo. e sempre chego. e chego certa.
8 de julho de 2013
27 de junho de 2013
escreve
escreve. escreve porque queres, sempre porque queres. não escrevas palavras com as quais não tens uma boa relação. desconstrói as palavras, mas escreve. cria o teu dicionário, mas escreve. escreve com gosto, por gosto.
escreve. escreve porque queres, sempre porque queres. escreve palavras que não serão ditas de outra forma. agarra o papel e escreve. liga a máquina e escreve. fecha os olhos e escreve. escreve muito ou pouco, mas escreve.
escreve. sempre porque queres, àqueles que não queres e aos que o querer não chega.
escreve. escreve porque queres, sempre porque queres. escreve palavras que não serão ditas de outra forma. agarra o papel e escreve. liga a máquina e escreve. fecha os olhos e escreve. escreve muito ou pouco, mas escreve.
escreve. sempre porque queres, àqueles que não queres e aos que o querer não chega.
14 de junho de 2013
jornada gramatical
quero as pausas, as vírgulas, os dois pontos e até mesmo o travessão (esse que em dias também serve de travesseiro). que os pleonasmos se intensifiquem e que as sinestesias agridoces me despertem novas sensações. dispenso as hipérboles, e as antíteses cheias de nada pouco me dizem. não me venham com eufemismos e, acima de tudo, brindemos com e às onomatopeias (tchim tchim).
11 de junho de 2013
eunice munoz.eugénio de andrade
Tinha um cravo no meu balcão;
Veio um rapaz e pediu-mo
- mãe, dou-lho ou não?
Sentada, bordava um lenço de mão;
Veio um rapaz e pediu-mo
- mãe, dou-lho ou não?
Dei um cravo e dei um lenço,
Só não dei o coração;
Mas se o rapaz mo pedir
- mãe, dou-lho ou não?
Eugénio de Andrade
Veio um rapaz e pediu-mo
- mãe, dou-lho ou não?
Sentada, bordava um lenço de mão;
Veio um rapaz e pediu-mo
- mãe, dou-lho ou não?
Dei um cravo e dei um lenço,
Só não dei o coração;
Mas se o rapaz mo pedir
- mãe, dou-lho ou não?
Eugénio de Andrade
6 de junho de 2013
na linha divisória
.. entre o leste da minha juventude e o oeste do meu futuro.
porque os únicos que me interessam são os loucos; os loucos por viver, loucos por falar, loucos por serem salvos, que desejam tudo ao mesmo tempo e nunca bocejam ou dizem coisas clichês, mas queimam, queimam, queimam como fogos de artifício pela noite
kerouac , on the road
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