13 de outubro de 2013

desafio criativo - sonho.

sonho-te,
em contornos perfeitos,
em gestos sem preconceitos.
sem medidas,
sem rotinas,
sem religião nem doutrinas.

sonho-te,
e em todos eles, sem excepção,
és repetição,
tentação,
repetição,
atracção,
repetição.

sonho-te,
em contornos perfeitos,
em gestos sem preconceitos.
sem medidas,
sem rotinas,
sem religião, nem doutrinas.

sonho-te em repetição
querendo-te por antecipação, 
sabendo que, ao acordar, serás apenas contradição.

Acordo e és o sonho desfeito,
na contramão dos meus dias.
és tudo o que não és quando te sonho:
não és nada nem ninguém.

diz-me só, quando adormeces?!
estou exausta de tanto vaivém.



31 de julho de 2013

histórias d'O indivíduo

era só mais um indivíduo, no meio de tantos outros desvairados, que se veio a tornar O indivíduo, o responsável por desconstruir todas as crenças banais. e O indíviduo todos os dias, sem excepção, passeava pelas ruas de lisboa com o único objetivo de transmitir a sua arte.
é parte integral da condição humana tornar o inacreditável acreditável, ouviste jovem?
estranhei a abordagem desligada de boas maneiras e preocupada apenas com a mensagem. fingi não ouvir, segui o meu caminho não conseguindo não pensar.
é parte integral da condição humana tornar o impossível possível, ouviste jovem?
é parte integral da condição humana tornar o sobrenatural natural, ouviste jovem?
é parte integral da condição humana tornar o lógico ilógico, o mágico mundano, retirar prazer do desprazer, ouviste bem? 
habituei-me à sua presença e comecei a procurá-lo todos os dias, também eu sem excepção.
encontras conforto no desconforto, sabias?
encontras agradabilidade no desagradável, já to disse?
era isto, uma frase, uma simples frase dita a cada novo dia que passava. e ecoava em mim, obrigando-me a questionar minha tão aclamada zona de conforto.
saboreia o dissabor e encoraja-te perante o desencorajador.
comecei a sentir-me familiarizada com as pessoas que, assim como eu, todos os dias esperavam o desvairado que se tornou O indivíduo para muitos.
acredita deslumbradamente, tudo é mágico, tudo é magnífico.
foi esta a sua última frase. com isto desapareceu, mas todos os dias, sem excepção, sorrio às pessoas que, como eu, continuam à sua procura, não querendo deixar de pensar,questionar, viver.









8 de julho de 2013

passo inseguro

vou caminhando sem rumo certo. vou pelas ruas repletas de calçada insegura, evitando tropeçar no alvoroço. vou certa, ainda que sem rumo. vou caminhando em jardins com sol de fim de tarde e calor de meio dia. vou caminhando em noites escuras com cheiro a verão e em areia fina que escapa entre os dedos. vou certa, ainda que sem rumo. e sempre chego. e chego certa.

27 de junho de 2013

escreve

escreve. escreve porque queres, sempre porque queres. não escrevas palavras com as quais não tens uma boa relação. desconstrói as palavras, mas escreve. cria o teu dicionário, mas escreve. escreve com gosto, por gosto.
escreve. escreve porque queres, sempre porque queres. escreve palavras que não serão ditas de outra forma. agarra o papel e escreve. liga a máquina e escreve. fecha os olhos e escreve. escreve muito ou pouco, mas escreve.
escreve. sempre porque queres, àqueles que não queres e aos que o querer não chega.


14 de junho de 2013

jornada gramatical

quero as pausas, as vírgulas, os dois pontos e  até mesmo o travessão (esse que em dias também serve de travesseiro). que os pleonasmos se intensifiquem e que as sinestesias agridoces me despertem novas sensações. dispenso as hipérboles, e as antíteses cheias de nada pouco me dizem. não me venham com eufemismos e, acima de tudo, brindemos com e às onomatopeias (tchim tchim).