20 de setembro de 2014

jogo das contradições



se em x se der o começo, e o fim chegar em z,  todas as pontes passarão pelo- equação simples,sem lógica transcendente necessária.

se o princípio surge em y, silenciam-se as pontes e os meios para atingir o fim em z. os fragmentos entre inícios e fins podem refletir-se em silêncios, no entanto, são um forte indicador de uma história pobre, sem  grande espaço para desvios e enredos.

z como início, meio e fim - acumulador de funções, espaço e tempo. ter em si todo o (des)controlo.

qual o melhor começo?aquele que é consequente do fim ou aquele que tem o fim como consequência?poupar no trabalho de pensar é negar, conscientemente, que se aprenda a pensar por si próprio.




9 de setembro de 2014

consecutivamente inconsequente

as boas vindas chegam já com a despedida no verso, em letras pequenas e no canto da página onde o dedo pousa.
quando se fala de boas vindas salientes e despedidas discretas o contexto nunca será uma luta de igual para igual.
os até já não obedecem a um padrão no tempo, podem medir minutos, horas, dias, semanas. 
de salientar que um até já elástico deve trazer sempre consigo recomendações de utilização, uma vez que esta ginástica temporal acaba, mais cedo ou mais tarde, por quebrar o elástico  temporalmente desgastado.
os compromissos são desfasados, sem harmonia.
o desfasamento conquista-se acertando o passo, mas a harmonia é imprescindível aquando da celebração de um compromisso, e deve ser, no mínimo, agradável ao ouvido.
às vezes, não meço as consequências.
na verdade, parece tratar-se de uma inconsequência crónica.


(fotografia . diana b.)







8 de setembro de 2014

cíclico


a corrente é forte mas a vontade aumenta,
a altura intimida mas a coragem não se atormenta,
a velocidade ultrapassa limites mas a adrenalina vence
o cansaço é bruto mas a meta a ele pertence.
a chuva cai,
o sol queima,
o vento agita,
e tudo o que vê é uma estrada sem fim à vista.
mas ele avança determinado e com firmeza,
avança encorajado após a finta das dúvidas com alguma destreza.


a corrente é forte e a vontade escasseia
a altura intimida e a coragem foge volta e meia
a velocidade ultrapassa limites e o medo espreita
o cansaço é bruto e a meta parece ter sido desfeita.
a chuva cai,
o sol queima,
o vento agita,
mas os passos continuam certos,
e ele avança, sempre convicto,
sem importar como, nem para onde
acreditando apenas que as adversidades formam os mais fortes.















21 de agosto de 2014

câmara lenta


escrevo dez linhas para, depois disso, as transformar numa frase e, depois disso, a resumir a uma palavra...uma única palavra.
agarro na palavra e volto a escrever dez linhas, depois disso, volto a escrever uma só frase, resultando numa só palavra...diferente da inicial.
de dez linhas a uma frase, de uma frase a uma palavra.
de uma palavra a dez novas linhas, de dez novas linhas a uma nova frase, de uma nova frase a uma nova palavra.

decomposição, desconstrução e repetição. são avanços, em câmara lenta.

porque andar para a frente implica saber o que fica para trás e ter pressa leva a pontos finais fora de tempo.


 'as minhas dúvidas formam um sistema', escreveu Wittgenstein."

17 de julho de 2014

velocímetro humano

a velocidade do indivíduo é uma questão de perspetiva. não temos um velocímetro incutido no nosso organismo ou, se o temos, não está sujeito a peritagens regulares estabelecidas por regras universais. o ritmo ao qual nos impomos deve sobrepor o ritmo que naturalmente nos guia? chegar o mais-breve-possível-ao-virar-da-esquina é assim tão importante? ou o que importa é o final da estrada? posso decidir correr e chegar mais rápido (estando inerente o risco de perceber erradamente a meta e chegar primeiro sim, mas ao sítio errado), posso abrandar o passo de forma a ajustar a minha velocidade à de outros, posso atrasar o passo e seguir o rumo que mais me convém, posso cortar caminho, posso vendar os olhos e ir sem destino. na realidade, posso tudo se não houver controlo do desconforto.

em boa e curta verdade, a velocidade gira em torno da tua sincronização e dessincronização com os outros e contigo mesmo. e, por muito que tentes, nunca irás saber a velocidade exata que percorres, nem que os outros percorrem, nem que tencionas correr. o problema (ou a virtude) do código do velocímetro humano é a inexistência de sinalização.