10 de maio de 2016

bê-á-bá


nem todas as palavras se pronunciam com a mesma facilidade. nem todas as palavras se usam com a mesma regularidade. não é a complexidade do léxico, nem são as palavras difíceis.
é a frequência, o tom e a intensidade escolhida no uso de determinados vocábulos, aqueles simples, quase onomatopeicos. 
são esses que ditam muito daquilo que somos, muito daquilo que fazemos, o que ambicionamos e o que, efetivamente, alcançamos.

o resto é tagarelice, paleio e lengalenga que enche, satura, entretém. não é o espelho do que somos. 
não procures as palavras certas, nem proclames meias palavras que te saltam da ponta da língua, essas tendem a ser a nossa condenação.




24 de janeiro de 2016

meia luz de inverno

headphones nos ouvidos, mochila às costas e a chave no bolso – a  ignição para que o meu corpo se ponha em andamento por aí. balanço ao ritmo dos acordes, ora não fossem eles pensados para esse mesmo efeito. são ruas, recantos e rostos à meia luz de um domingo de inverno. 
a luz muda as pessoas e as pessoas mudam o espaço. e é nesta dessincronização que divago, na brisa de mais um dia frio com o sol à espreita - o (des)ritmo animado da vida.



16 de novembro de 2015

centro

o centro move-se, vai de um lado para o outro, é instável, depende do nosso olhar e da nossa atenção momentânea.
tudo pode ser centro.
manter próximo o máximo de centros relevantes, para que o desvio do que realmente importa seja menor -  contestação constante.


9 de novembro de 2015

uma vez, várias vezes


os espaços e as fotografias ocupam mais espaço do que aquele que lhes dei. - diz ele

quando foi a última vez que viste alguma coisa pela primeira vez? uma coisa completamente nova, quando foi? pensa bem. e quando foi a última vez que reconstruiste uma situação passada na tua cabeça? muitas, não é? e diz-me, quantas vezes recorreste ao passado antes de olhares?
a repetição está sempre presente, e tu olhas sempre como quem já viu. e assim vives demasiadas vezes o mesmo, está na hora da arrumação, o outono já chegou faz tempo.
 
 
 
 
 
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26 de outubro de 2015

ode aos meus

há dias cinzentos e os dias de outubro caracterizam-se por isso mesmo. 
para além da alteração do fuso horário, onde se perdem 60 minutos de luz todos os finais de dia em prol de uma luz matinal mais aceitável, hoje tive que me forçar à distância de um dos meus pilares. 2240 km é um número demasiado grande e sabes que sou de letras, os números não me fazem bem.
vou sentir a tua falta em todas as pequenas coisas. dos pequenos almoços sem fim, das tentativas de prática de desporto, das aulas de alemão, da maratona da tese, das falhas de energia,  das viagens de carro e da tua ingenuidade em acreditares sempre no meu sentido de orientação. vou sentir a falta da mesa na divisão da casa que nunca chegou a ter nome (e do tanto que crescemos com a troca de palavras por horas infindas). vou sentir falta da partilha de tudo e de modo tão natural, das verdades na hora certa, das horas de choro e de riso descontrolado, das tuas graças (sempre soberbas) ao universo. vou sentir a falta dos abraços, do respeito, do saber gostar, do saber ouvir, do saber e querer cuidar, mimar. 
brilhas tanto, sabes!? colónia não tem a menor ideia do presente gigante que acabou de receber.
vou continuar a escrever e tu vais fazer da música uma arte ainda mais incrível, pois acorda já é hora, tens o mundo a descobrir e todos os teus sonhos estão prontos a seguir.

hoje a ode é feita aos amigos, àqueles que se tornam família, que nos fazem felizes, todos os dias. e tu, és tudo isto e tanto mais.