7 de junho de 2016

olho-de-bolso

conseguir parar o mundo, minto, conseguir parar parte do teu mundo, pois suspender o mundo que também é dos outros acarretará demasiadas responsabilidades e sequelas.
transportar um olho-de-bolso, com uma objetiva hipotética, capaz de estagnar o momento, qualquer que seja, por um período de tempo previamente estabelecido.

não falo sobre tecnologia, nem registo de uma imagem ou vídeo acessível durante 5 segundos na tua memória virtual. Falo da importância em saber ver, querer contemplar e apreciar o teu mundo numa pausa. Compreender trazendo o exterior para dentro, deixarmo-nos maquilhar pelas coisas que observamos ao detalhe. 


10 de maio de 2016

bê-á-bá


nem todas as palavras se pronunciam com a mesma facilidade. nem todas as palavras se usam com a mesma regularidade. não é a complexidade do léxico, nem são as palavras difíceis.
é a frequência, o tom e a intensidade escolhida no uso de determinados vocábulos, aqueles simples, quase onomatopeicos. 
são esses que ditam muito daquilo que somos, muito daquilo que fazemos, o que ambicionamos e o que, efetivamente, alcançamos.

o resto é tagarelice, paleio e lengalenga que enche, satura, entretém. não é o espelho do que somos. 
não procures as palavras certas, nem proclames meias palavras que te saltam da ponta da língua, essas tendem a ser a nossa condenação.




24 de janeiro de 2016

meia luz de inverno

headphones nos ouvidos, mochila às costas e a chave no bolso – a  ignição para que o meu corpo se ponha em andamento por aí. balanço ao ritmo dos acordes, ora não fossem eles pensados para esse mesmo efeito. são ruas, recantos e rostos à meia luz de um domingo de inverno. 
a luz muda as pessoas e as pessoas mudam o espaço. e é nesta dessincronização que divago, na brisa de mais um dia frio com o sol à espreita - o (des)ritmo animado da vida.



16 de novembro de 2015

centro

o centro move-se, vai de um lado para o outro, é instável, depende do nosso olhar e da nossa atenção momentânea.
tudo pode ser centro.
manter próximo o máximo de centros relevantes, para que o desvio do que realmente importa seja menor -  contestação constante.


9 de novembro de 2015

uma vez, várias vezes


os espaços e as fotografias ocupam mais espaço do que aquele que lhes dei. - diz ele

quando foi a última vez que viste alguma coisa pela primeira vez? uma coisa completamente nova, quando foi? pensa bem. e quando foi a última vez que reconstruiste uma situação passada na tua cabeça? muitas, não é? e diz-me, quantas vezes recorreste ao passado antes de olhares?
a repetição está sempre presente, e tu olhas sempre como quem já viu. e assim vives demasiadas vezes o mesmo, está na hora da arrumação, o outono já chegou faz tempo.
 
 
 
 
 
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