11 de janeiro de 2018

às voltas


às voltas que a vida nos dá eu chamo de prática da elasticidade humana.
àqueles cujo ginásio ou qualquer outra prática desportiva não conste no vocabulário,  talvez seja mais difícil a compreensão do conceito.


às voltas que a vida nos dá eu chamo de loop.
àqueles cuja a adrenalina de entrar numa montanha russa não seja uma ação a ter,  talvez seja difícil a compreensão da analogia.


às voltas que a vida nos dá eu chamo de sismos de amplitude variável.

A TERRA TREME e os comportamento a ter são:

- Proteger-se e Esperar

A TERRA PÁRA DE TREMER e os comportamentos a ter são:

- Avaliar e, só depois, Agir


no fundo trata-se,  não das voltas,  mas sim dos sismos que a vida nos dá.

15 de abril de 2017

por um triz

não procuro causas na tarologia, no horóscopo nem no mapa astral.  não te descobri nas mensagens encriptadas dos pacotes de açúcar, nem te tentei ler nas borras do café. nunca te desenhei, a minha relação com as páginas em branco sempre se limitou ao uso de palavras, mas agora percebo a esquizofrenia dos meus gatafunhos.
a imprevisibilidade supera qualquer misticismo e filosofias baratas e o para sempre continua a ser sempre por um triz.


19 de dezembro de 2016

dezembro

o último mês de cada ano é como o momento pré-parto generalizado a todos os géneros.
o frio chega, as contrações começam a agudizar-se progressivamente, muda a estação, excedem-se os gastos, as famílias reúnem-se no babyshower do dia 25, deixa-se de olhar para trás, deixa-se de olhar o presente, só se limpa o caminho e a consciência, afinal de contas, é o nascimento do ano, a comemoração mais unânime no planeta e a oportunidade utópica para se fazer diferente, para se ser diferente.
e, às 12 badaladas de todos os 31 de dezembro, concretizamos a fuga do baile que o ano anterior nos deu mas, para os mais distraídos fica a nota, de nada vale a pressa, cinderela que é cinderela, esquece-se sempre de um sapato lá atrás.


19 de novembro de 2016

salvo erro


há o erro por consentimento, a ação que, deliberadamente, decidimos ter e que, mesmo após auto-análise e algum tempo de preponderação, assumimo-lo como cERRtO, sabendo de antemão que, eventualmente, poderemos tropeçar.
há o erro por desconhecimento, em que estamos tão inebriados que não encontramos justificação alguma que nos alerte do possível perigo. avançamos convictos, até que, mais cedo ou mais tarde, levamos uma rasteira repentina, um atordoamento. 
e depois há o medo do erro,  esse não faz tropeçar, nem prega rasteiras, esse cria raízes e não permite avançar.



24 de outubro de 2016

fora de tempo

que horas são?
a.     (de einsten): uma ilusão. a distinção entre passado, presente e futuro não passa de uma firme e persistente ilusão.
b.    horas de saíres da cama
c.    um quarto para o meio dia
d.   espera aí, deixa-me olhar para a sombra
e.    onze e quarenta e cinco
f.     chegaste mesmo a horas
g.   não tenho relógio
h.   horas para estares calado
i.     não temos tempo para isso
j.     meio dia menos um quarto 
k.    11h45m11s
l.     menos uma hora nos açores
m.  estou sem pilhas
n.   tenho o telemóvel descarregado
o.    mais 9 horas no Japão
p.    horas de ires embora, fecha a porta
q.   horas de comprares um relógio
r.     é quase meio dia
s.    faltam treze minutos para o assalto
t.     cinco minutos desde a última vez
u.   horas de apanhar o metro
v.    11:45:57
w.   sabes que o tempo nunca importou
x.    trinta  e três segundos para a explosão
y.    não tenho tempo para acompanhar as horas, tenho mais em que pensar
z.    a imaginação não usa relógio